quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Série Oscar - Sweeney Todd

Burton entrega mais um filme bem particular, embora não isento de erros.

Dono de uma filmografia que privilegia obras obscuras e fantasiosas, Tim Burton é um dos realizadores mais interessantes (e diferentes) em atividade. Seu mais recente trabalho é Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street) - sexto longa do diretor em parceria com o ator Johnny Depp.

O filme apresenta o drama do barbeiro Benjamin Barker. Ele foi preso, sob falsas acusações, pelo juiz Turpin e ficou 15 anos afastado da família. Libertado, volta para Londres em busca de vingança contra Turpin - que "assumiu" a família de Barker. Agora sob o nome de Sweeney Todd, ele volta a trabalhar como barbeiro no seu antigo salão, dividindo o espaço com a loja de tortas comandada pela Sra. Lovett.

O roteiro de John Logan é adaptado da montagem do espetáculo para a Broadway. Ou seja, Sweeney Todd representa a incursão de Burton pelo gênero musical. Uma combinação improvável, uma vez que o realizador gosta de temas sombrios e os musicais são ligados ao otimismo, com argumentos cômicos e/ou românticos.

Nos papéis principais, Johnny Depp (Todd) e Helena Bonham Carter (Lovett) estão sensacionais. Depp consegue refletir a figura angustiada e vaga de Sweeney com perfeição. Já Carter suaviza a postura vilanesca da Sra. Lovett criando uma personagem digna de pena, ao passo que idealiza uma relação mais afetiva com Todd. Os dois ainda surpreendem, revelando-se bons cantores.

O veterano Alan Rickman exibe sua competência característica como o juiz Turpin, enquanto o comediante Sasha Baron Cohen tem uma mínima, mas notável aparição como um barbeiro concorrente de Todd. Mas nem todos estão bem. O casal jovem da trama - os atores Jamie Campbell Bower e Jayne Wisener -, além de totalmente dispensável ao filme, é composto através de interpretações totalmente inexpressivas e irritantes.


Se há uma falha na produção, ela reside exatamente em sua concepção musical. Muitas músicas são repetitivas e de qualidade questionável. O problema cresce por Sweeney Todd ter praticamente todo o seu primeiro ato cantado, transformando o início do filme em um exercício de paciência até mesmo para fãs do gênero.

Com o tempo, o filme melhora. Burton equaliza melhor o conteúdo musical disponível e alcança um "equilíbrio" entre músicas e diálogos. Sweeney Todd ganha fluidez e torna-se, gradativamente, uma experiência mais interessante. A história ganha contornos mais incisivos e o diretor começa a imprimir seu estilo, garantindo bons momentos. Neste ritmo, a produção chega em um nível ideal para que o público possa acompanhar o ótimo desfecho da trama.

O grande destaque de Sweeney Todd fica por conta da primorosa direção de arte concebida por Dante Ferretti - premiada justamente pela Academia. Mesmo "recheado" de efeitos visuais, é possível identificarmos quão brilhante é a concepção visual do filme. O veterano Ferretti entra em perfeita sintonia com os ideais do "Universo Burton", construindo cenários que materializam uma Londres suja e corrupta. Um trabalho brilhante.

Sweeney Todd representa mais uma experiência bem sucedida do diretor Tim Burton, ajudado por ótimos trabalhos de elenco e artes visuais. No entanto, o filme sente a falta de uma trilha musical mais qualificada e melhor equilibrada. Em tal panorama, o diretor merece elogios: consegue que um musical que falha exatamente em sua parte "cantada" continue sendo um ótimo longa.

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