Os irmãos Joel e Ethan Coen são ótimos realizadores, possuindo em seus currículos filmes de alta qualidade, como Fargo e O Grande Lebowski. Agora, com Onde os fracos não têm vez (No Country for old men), nunca estiveram tão próximos de um maior reconhecimento da Academia.
Llewelyn Moss é um caçador que encontra uma valise cheia de dinheiro no deserto, em um cenário onde parece ter acontecido uma negociação de traficantes mal sucedida. Para recuperar a quantia, é enviado um assassino psicótico e impiedoso. Começa uma perseguição entre os dois, com o xerife local sempre no encalço de ambos.
Aqui, os irmãos Coen constroem um western contemporâneo que, na verdade, é uma metáfora do mundo onde vivemos. Em sua essência violenta, simbolizada pelo assassino Anton Chigurh, guarda-se um paralelo com a violência do nosso dia-a-dia. Genial a forma como os Coens utilizam um gênero antigo para simbolizar uma situação atual.
Aliás, a chave de Onde os fracos não têm vez é a metáfora. Tudo e todos parecem possuir um significado obscurecido. Isto acaba por tornar o filme ainda mais envolvente e intrigante. O longa serve para reforçar o talento da dupla de realizadores enquanto não só diretores, mas como cineastas - uma vez que se desdobram em várias funções.
No posto de diretores, os irmãos Coen entregam uma obra formidavelmente orquestrada e conduzida. Veja como vários recursos de câmera são utilizados para comparar as personagens principais, como sombras e reflexos de luz. Além disso, uma das maiores virtudes da obra é como os realizadores conseguem dar o tempo necessário para que cada um dos indivíduos brilhe. Aí, méritos também para a edição de Roderick Jaynes (na verdade, os Coen sob pseudônimo).
O trabalho dos atores também é louvável. Impossível não destacar, um passo a frente, o espanhol Javier Bardem - que dá vida ao implacável Anton Chigurh em uma atuação assustadora e memorável. O veterano Tommy Lee Jones (xerife Ed) possui um papel muito difícil, mas alcança com louvores a incorporação da figura desiludida do homem-da-lei. Fechando a trinca, Josh Brolin encarna corretamente o pacato Llewelyn Moss.
Muitos estão chamando o filme de uma obra-prima. Na minha opinião, é um exagero. Apesar de muito bom, Onde os fracos não têm vez também possui alguns problemas. Um deles, mais para o público do que para a crítica, é o final súbito. Confesso que não me encomodei, mas sei que isto não agradou grande parte dos espectadores.
Outro problema é a contrução geral do terceiro ato. Com a questão principal já resolvida, o filme sofre uma freada brusca e perde fluência. Se os primeiros 100 minutos passam com primor, os últimos 20 minutos parecem outros 100. Em partes, esta sensação ocorre porque tal etapa da produção soa um pouco inchada. Vários acontecimentos e diálogos poderiam possuir um pouco mais de dinamismo ou terem sido cortados da versão final.
Com oito indicações ao Oscar (filme, diretor, ator coadjuvante, fotografia, roteiro adaptado, edição, som e edição de som), Onde os fracos não têm vez é o grande favorito aos principais prêmios da noite. Deve levar a glória de melhor filme. Se sair com menos do que três estatuetas, terá sido uma grande decepção. Ou a coroação justa de Sangue Negro sobre ele.
Um comentário:
Assim, acho que o final subito não irá agradar uma enorme parcela do publico, mas acho que foi uma das maiores sacadas do diretores para encerrar essa belissima trama de violencia e reflexão. recomendo ver pela segunda vez e olhar com outros olhos o texto final de Ed Bell que tem muito com que contar ...
até
e dé uma visitada no meu blog
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