Sucesso de bilheteria, O Gângster (American Gangter) apareceu muito cotado na briga pelo Oscar deste ano. No entanto, o filme perdeu força e não conseguiu indicações nas principais categorias. Apesar de um bom filme, não dá para chamar a "esnobada" da Academia de injustiça.
Dirigido por Ridley Scott, a produção conta a história de ascenção do traficante Frank Lucas, na Nova York dos anos 70. Em paralelo, acompanha a implacável caça do detetive Richie Roberts ao criminoso.
Um dos maiores trunfos de O Gângster é possuir um bom ritmo e fluência, o que reduz os danos dos extensos 157 minutos de projeção. Mérito de Ridley Scott, aqui com sua melhor obra em anos.
O veterano realizador apresenta uma direção segura e sóbria. No entanto, sabendo que o diretor é Scott, esperamos algo mais. Ele não traz novos elementos e/ou inova em sua forma de filmar. O melhor que consegue são alguns momentos mais estilizados - como a cena em que Frank Lucas é encurralado em uma igreja.
O trabalho de elenco é fabuloso. Denzel Washington (Lucas) e Russell Crowe (Roberts) estão perfeitos como os antagonistas principais. Entre os coadjuvantes, vale destacar as atuações de Josh Brolin (como o detetive Trupo) e a veterana Ruby Dee (mãe de Frank Lucas). Dee aparece em pouquíssimos momentos, mas está soberba na melhor cena do filme: o confronto entre Lucas e a matriarca.
Contrapor os dois lados da história é uma decisão interessante. Mas o filme falha ao passo que a trajetória do traficante é muito mais interessante do que a do detetive. Mesmo as sub-tramas envolvendo o homem da lei - problemas familiares e a desconfiança dos colegas de trabalho - empalidecem perante a envolvente odisséia de Frank Lucas rumo ao poder. A disparidade de interesse acaba enfraquecendo a proposta, tornando a produção um pouco irregular.
Outro problema é o encontro de Lucas com Richards. Toda a projeção cria uma grande expectativa em torno do acontecimento. Quando ocorre, passadas duas horas de filme, o resultado não vai além do satisfatório. Filmado e roteirizado de forma comum, a reunião dos dois antagonistas representa uma súbita freada na história.
Indicado aos Oscar de melhor atriz coadjuvante (Ruby Dee) e direção de arte (ótimo trabalho de Arthur Max e Beth Rubino, recriando a década de 70), as chances de premiação parecem maiores para a efêmera participação da veterana atriz. Ela venceu o Globo de Ouro e pode ser contemplada com a política da Academia de premiar artistas pelo "conjunto da obra". Quando tem a chance de aparecer em O Gângster, Ruby Dee faz um bom trabalho.
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