Apesar de sequer 40 anos ter, o diretor Paul Thomas Anderson é reconhecido como um dos maiores talentos da direção cinematográfica ianque. Responsável por filmes como Boogie Nights e Magnólia, o realizador agora apresenta esta espetacular obra chamada Sangue Negro (There Will Be Blood).
Livre adaptação do livro Oil! de Upton Sinclair, acompanhamos a trajetória do prospector de petróleo Daniel Plainview, marcada pela ganância. Já estabelecido como grande empresário, ele ruma para Little Boston - vilarejo que possui reservas de petróleo - entrando em rixa com Eli Sunday, o pastor local.
Há muito tempo, o cinema americano não produzia um filme tão poderosa e obscura. Trata-se de um épico indefinível, justamente comparado com épicos do quilate de Cidadão Kane. É uma obra-prima, produção que já nasce clássica.
O diretor Paul Thomas Anderson reafirma seu inconstestável talento com este filme. Incrível a incapacidade do realizador fazer um único plano ou cena comum. Toda a produção é filmada com a grandeza e estilo que Sangue Negro merece. Se este não representar o auge de Anderson como diretor, ele tem tudo para tornar-se lendário (no patamar de Wells, Hitchcock, etc).
Daniel Day Lewis e dono da melhor atuação da década como Plainview. É absurdo, assustador, intrigante e brilhante. Um caso genuíno de possessão. Pode ser ainda mais impressionante saber que Paul Dano (o garoto "mudo" de Pequena Miss Sunshine, absurdamente ignorado pela Academia novamente) acompanha o ritmo de Lewis, incorporando o cínico pastor Eli Sunday. Ainda há o garoto Dillon Freasier, novato, porém competente como HW Plainview.
Adaptado pelo próprio Paul Thomas Anderson, o roteiro é preciso, frio e certeiro. Os 158 minutos podem parecer longos, mas são necessários. Além disso, não cansam. É um tempo excelentemente gasto, uma vez que estamos vendo uma parte valiosa da história do cinema sendo projetada.
Até mesmo as decisões mais polêmicas de Anderson dão certo. Os quinze primeiros minutos da produção, sem diálogos, servem para evidenciar nuances importantes do seu protagonista (solitário, anti-social). Além disso, ajuda a afirmar o tom visceral e poderoso da trama, ampliado pela trilha sonora perturbadora e genial de Jonny Greenwood - os sons da cabeça de Plainview.
Os trabalhos técnicos são todos bem competentes. A direção de arte de David Crank recria fabulosamente a Los Angeles do início do século. Edição e mixagem de som são igualmente bem concebidos. A fotografia de Robert Elswit é um trabalho brilhante, forte candidato a vencer o prêmio da Academia. Tudo parece conspirar para o brilhantismo de Sangue Negro.
Dono de oito indicações, o filme deverá ser preterido em relação ao mais badalado Onde os fracos não têm vez. Certeza de premiação para Day Lewis como ator. As outras sete estatuetas são incertezas, que podem até dar em vitória (estou torcendo para isso): filme, diretor, roteiro adaptado, direção de arte, fotografia, edição/montagem e edição de som.
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