Hoje, O ano em que meus pais saíram de férias já é muito mais do que o segundo filme dirigido por Cao Hamburger. A produção venceu (segundo jurados, de forma unânime) a seletiva organizada pelo Ministério da Cultura para se tornar o candidato oficial do Brasil ao Oscar de melhor filme em língua não-inglesa.
O filme conseguiu bater o favoritismo do "fenômeno" Tropa de Elite, a produção nacional mais comentada dos últimos anos. Os dois longas são extremamente diferentes entre si. Tropa um é o relato cruo da violência reinante no país. Já O ano... é uma história terna, porém firme, sobre um período de opressão latente.
A história do filme tem como pano de fundo o auge da ditadura militar e a Copa do Mundo de 1970. Mauro é um garoto de 12 anos apaixonado por futebol, mas que vê sua vida mudar quando seus pais, subitamente, saem de férias (na verdade, são perseguidos pelo regime opressor) e deixam-no aos cuidados de seu avô. A partir deste momento, ele faz amizade com o vizinho Shlomo, um idoso judeu.
O grande trunfo da produção é a sua semelhança com o jovem protagonista. Assim como uma criança de 12 anos, o filme é dominado por uma aura de sensibilidade, sutileza, ternura e sinceridade. Ainda é digno de nota as ótimas atuações (destaque para o garoto Michel Joelsas e os veteranos Germano Hauit e Paulo Autran - recém-falecido), o trabalho de fotografia realizado por Adriano Goldman e o amadurecimento de Cao Hamburger como diretor de cinema.
Muitos consideraram a escolha de O ano em que meus pais saíram de férias injusta (com Tropa de Elite). Independente disto, o filme é muito bom e merece maior atenção do público brasileiro. Trata-se de uma visão sutil, sensível e franca sobre um momento obscuro da história nacional.
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