No último fim de semana, assisti a dois filmes rotulados como "suspense" totalmente diferentes em si. Um foi Fora do Rumo (Derailed - 2005) e outro foi Paranóia (Disturbia - 2007), recém-lançado nos cinemas brasileiros. O primeiro vem cheio de auto-importância, considerando-se bem melhor do que realmente é. Não por acaso, é totalmente desagradável e insatisfatório: cheio de reviravoltas óbvias guiadas por uma direção apática, desperdiçando o ótimo elenco liderado pelo casal Clive Owen e Jennifer Aniston.
O grande trunfo de Paranóia, um dos grandes blockbusters da temporada, é a forma como foi tratado. Nunca se considera maior ou se propõe a ser melhor do que realmente é. No fim das contas, são pouco mais de 100 minutos de uma diversão despretensiosa, com deslizes previsíveis, porém resultado ligeiramente agradável e satisfatório.
A produção conta a história de Kale (Shia LaBeouf), um garoto traumatizado pela morte do pai e condenado a três meses de prisão domiciliar após esmurrar seu professor de espanhol. Privado pela mãe de todas as suas diversões habituais, o jovem encontra no ato de espionar os vizinhos um interessante passar o tempo. Tudo se complica quando Kale começa a suspeitar que um dos "espionados" é, na verdade, um assassino.
O diretor DJ Caruso leva maioria do filme no "piloto automático", raramente imprimindo um estilo próprio. Essa é uma característica já conhecida do diretor, advindo da TV e responsável pelo questionável Roubando Vidas e o razoavelmente eficiente Tudo por dinheiro. Em Paranóia, os (poucos) momentos mais emotivos são muito fracos e dispensáveis. Porém, Caruso consegue em uma cena específica (quando os jovens invadem a casa do suposto assassino) um resultado altamente tenso e frenético, naquele que é o grande momento do filme.
O roteiro de Christopher B. Landon e Carl Ellsworth possui problemas. Existem momentos pouco efetivos e mal trabalhados, mas que não chegam a comprometer o filme. Além disso, o unilateralismo do suspeito nunca consegue suscitar dúvida no público quanto a sua inocência. Essa era uma das maiores virtudes da produção que inspirou Paranóia - o clássico de Hitchcock Janela Indiscreta. No entanto, qualquer comparação entre ambos é uma covardia. A obra de 1954 é um suspense infinitamente mais denso do que sua versão contemporânea.
Shia LaBeouf carrega o filme com seu grande carisma e razoável talento, conferindo grande simpatia à Kale. David Morse aparece devidamente intimidador como o vizinho-suspeito. No papel de Ashley - interesse romântico de Kale -, Sarah Roemer pouco faz: apenas embeleza a tela e aparece em momentos estratégicos da trama. Interpretando Ronnie, Aaron Yoo é o (exagerado) alívio cômico do filme. O ponto negativo fica para a veterano Carrie Ann Moss (Matrix), terrivelmente inexpressiva como a mãe de Kale.
Paranóia não é uma obra de arte. Provavelmente, não mudará sua vida. No entanto, durante o tempo que estiver na sala de cinema, a produção te proporcionará eficiente diversão sem compromisso. Para os padrões de hoje em dia, isso já é um bom custo-benefício.
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