Não há gênero cinematográfico mais batido em Hollywood do que a comédia-romântica. Roteiros simples e "açudarados", sem grandes pretensões, são especialidade da indústria cinematográfica norte-americana. Como esses filmes se diferenciam entre si? Pela competência de quem trabalha as idéias: atores e equipe técnica. É neste ponto que Sem Reservas, lançado recentemente nos cinemas brasileiros, consegue consolidar-se acima da média.
A personagem central da produção é Kate Armstrong (Catherine Zeta-Jones), regrada e perfeccionista chef de um sofisticado restaurante de Nova York. A vida dela muda profundamente quando sua irmã morre, deixando uma menina pré-adolescente para Kate cuidar. Se isso não fosse o bastante, o restaurante contrata um sub-chef excêntrico para auxiliar a recatada protagonista.
Para quem conhece o gênero, não é preciso raciocinar muito para adivinhar o final do enredo. Aí reside o grande mérito do diretor Scott Hicks e da roteirista estreante Carol Fuchs: eles conseguem manter o espectador entretido, mesmo que com um final óbvio sendo pintado na tela. O público preocupa-se muito mais com os personagens do que com o final da trama.
As atuações são perfeitas. Zeta-Jones compõe com o máximo de competência a protagonista. Aaron Eckhart empresta seu grande carisma ao sub-chef Nick Palmer. E a prodígio Abigail Breslin (indicada ao Oscar de atriz coadjuvante por Pequena Miss Sunshine) surpreende no papel da orfã Zoe. Ela é o que de melhor o filme tem, com uma atuação irrepreensível e adorável. Tudo isso somado dá a Sem Reservas uma simpatia e elegância só alcançada quando a "fábrica de sonhos" de Hollywood acerta no alvo.
O ponto negativo do filme é sua época de estréia. Infelizmente, Sem Reservas foi jogado em uma temporada repleta de blockbusters, o que fez com que ele passasse despercebido para parte do seu potencial público. Até mesmo a fria recepção da crítica americana é reflexo do erro estratégico de lançamento.
Resumindo: Sem Reservas é a prova definitiva de que mesmo o mais convencional dos roteiros pode ser transformado em um grande filme através do trabalho competente de seus realizadores. Além de ser uma raridade: é um remake (do alemão Simplesmente Martha - 2001) que consegue ser superior a obra original.
Um comentário:
Fiquei com vontade de ver!
Ainda mais eu...suspeita quando o assunto em pauta é comédia romântica!
Dica muito boa de ler! Parabéns e continuemos produzindo! :]
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